Sempre me questionei sobre por que razão alguns livros conseguem conquistar leitores em todo o mundo, enquanto outros caem rapidamente no esquecimento. Embora não exista uma fórmula infalível, descobri há algum tempo o conceito de Fantasias Universais, que despertou de imediato a minha curiosidade.

De acordo com a autora T. Taylor, a chave para criar um best-seller está precisamente nas fantasias universais — desejos emocionais profundos que todos nós, humanos, sentimos.

Neste artigo, partilho convosco o resultado das pesquisas que fiz sobre este tema e vamos explorar, sobretudo, como podes aplicar este conceito, tanto na escrita como no marketing do teu livro.

O que são Fantasias Universais?

Fantasias Universais referem-se aos desejos e experiências emocionais que muitos leitores procuram, de forma subconsciente, nas histórias. Não se tratam apenas de tropos comuns, mas de elementos mais profundos, de apelo universal, que tocam as esperanças e os sonhos mais íntimos dos leitores. Entre os exemplos destacam-se temas como a transformação do anonimato à glória (Cinderela, por exemplo), ser escolhido ou especial (como em Harry Potter) ou encontrar o amor contra todas as probabilidades (como em The Notebook, de Nicholas Sparks).


O Poder das Fantasias Universais

As Fantasias Universais são os desejos e sonhos que todos nós, de forma subconsciente, queremos ver realizados nas histórias que lemos. Elas não são apenas ideias comuns ou clichés: tocam sentimentos profundos que nos fazem identificar com os personagens e viver a história como se fosse nossa.

Por exemplo:
• Todos nós gostamos de nos sentirmos especiais ou escolhidos para algo importante.
• Todos queremos pertencer a um grupo ou lugar onde nos sentimos aceites.
• Todos desejamos ser amados, mesmo quando parece impossível.
• Adoramos ver alguém vencer pelos seus próprios méritos.
• Sentimos prazer quando alguém recebe justiça ou se vinga de forma justa.
• Todos procuramos proteção ou segurança, seja física ou emocional.
• E gostamos de acreditar que é possível ter uma segunda oportunidade e mudar a vida.

O segredo é simples: quando uma história promete realizar uma dessas fantasias e depois cumpre essa promessa de forma envolvente, o leitor sente uma ligação emocional profunda. É essa sensação que faz com que os livros e os filmes se tornem inesquecíveis e, muitas vezes, best-sellers.

Exemplos de Fantasias Universais

• Ser escolhido → Harry Potter (J.K. Rowling), Percy Jackson (Rick Riordan)
• Pertencer → Os Jogos da Fome (Suzanne Collins), Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Maas)
• Ser amado por alguém extraordinário → Corte de Espinhos e Rosas (Sarah J. Maas)
• Vencer pelo mérito / Competência → Divergente (Veronica Roth)
• Obter justiça / Vingança → Os Homens Que Odeiam as Mulheres (Stieg Larsson)
• Ser protegido / Segurança → Twilight (Stephenie Meyer), Eragon (Christopher Paolini)
• Ter uma segunda oportunidade / Redenção → A Educação de Eleanor (Gail Honeyman), Viver Depois de Ti (Jojo Moyes)

A fantasia representa o “porquê emocional” que torna um tropo eficaz. Por exemplo, o tropo “inimigos que se tornam amantes” satisfaz a fantasia de “ser compreendido e amado por alguém improvável”.

Como Integrar Fantasias Universais no Enredo

Para que uma história cative o leitor e o envolva emocionalmente, é essencial trabalhar a fantasia central ao longo da narrativa:

Prometa a fantasia desde cedo → Apresente, logo no início, o desejo ou sonho emocional do protagonista.
Exemplo: Em Harry Potter, vemos logo que Harry é especial e destinado a algo maior.

Semeie a fantasia ao longo das cenas → Cada cena deve reforçar, complicar ou pôr em perigo a fantasia central, mantendo o leitor interessado.
Exemplo: Harry enfrenta desafios constantes que testam o seu valor e coragem, reforçando a fantasia de ser escolhido e importante.

Crie obstáculos antes do clímax → Faça parecer que o protagonista não vai conseguir realizar a fantasia.
Exemplo: As lutas contra Voldemort e os obstáculos em Hogwarts aumentam a tensão e o desejo de ver Harry triunfar.

Entregue a fantasia de forma memorável no clímax → O momento de concretização deve ser intenso e emocionalmente marcante.
Exemplo: A vitória de Harry sobre Voldemort cumpre a fantasia de ser especial e de proteger os que ama.

Eco final → Termine com uma imagem ou situação que simbolize a realização da fantasia, deixando o leitor com uma sensação duradoura de prazer ou esperança.
Exemplo: O epílogo de Harry Potter mostra Harry e os seus amigos realizados, com família e pertencimento, reforçando a fantasia de segurança e pertença.

Marketing de Fantasias Universais

Sinopse → Realce a fantasia central do livro para captar imediatamente o interesse do leitor.

Exemplo: Harry Potter e a Pedra Filosofal apresenta Harry como especial e destinado a grandes feitos, despertando a fantasia de ser escolhido.

Exemplo: Os Jogos da Fome destaca a luta de Katniss pela sobrevivência e pertencimento, conectando com a fantasia de pertencer e vencer pelo mérito.

Capa → Utilize símbolos visuais que representem a fantasia central.

Exemplo: A capa de Twilight com a maçã simboliza desejo e amor proibido, reforçando a fantasia de ser amado contra todas as probabilidades.

Exemplo: Divergente usa elementos que sugerem coragem e superação, apelando à fantasia de vencer pelo mérito.

Título → Escolha títulos que prometam a emoção ou realização da fantasia, não apenas o género literário.

Exemplo: Viver Depois de Ti comunica imediatamente a possibilidade de amor e redenção.

Exemplo: A Educação de Eleanor sugere transformação e uma segunda oportunidade.

Em conclusão

As Fantasias Universais são o coração de muitas das histórias que marcam os leitores. Ao identificarmos os seus desejos emocionais mais profundos — ser escolhido, pertencer, ser amado, vencer pelo mérito, obter justiça, ser protegido ou ter uma segunda oportunidade — podemos criar narrativas que tocam o leitor de forma profunda e duradoura.

Para os escritores, o segredo está em semeá-las ao longo da narrativa, criando tensão, obstáculos e momentos de realização que mantenham o leitor envolvido até ao final. Para o marketing, comunicar claramente essas fantasias desde a sinopse, passando pela capa e título, aumenta significativamente o apelo do livro.

Concluindo, dominar as fantasias universais é compreender o que todos nós, leitores, ansiamos sentir e saber transformar esse desejo em histórias inesquecíveis.