Tenho um problema com os emojis. É um facto.

Quando existiam apenas os emoticons (se és demasiado jovem para te lembrares destes antepassados dos emojis, pergunta ao ChatGPT), eu conseguia lidar bem com eles. Eram meia dúzia de carinhas feitas com a pontuação do teclado ; )

Mas, desde que apareceram os emojis, tenho graves problemas com esses seres misteriosos.

Primeiro: não percebo o que a maioria significa. Não se riam, mas a primeira vez que vi o 🙏 pensei que a pessoa estava a rezar. Nunca me passou pela cabeça que podia significar “obrigado”. Ou o 🍀 – juro que pensei que era uma folha de alface.

O que me leva ao segundo ponto: vejo cada vez pior e, por isso, já não distingo bem as carinhas amarelas, nem o tal trevo de quatro folhas. Talvez precise de comprar óculos novos. Talvez…

Terceiro (e este é o que mais me irrita): HÁ DEMASIADOS EMOJIS! Não sei se sou eu que sou uma naba no Instagram, mas cada vez que quero adicionar um emoji no final de uma publicação (só para provar que sou uma escritora moderna), nunca encontro o que quero – mesmo usando sempre os mesmos seis ou sete. Acabo sempre a percorrer a lista inteira, de cima a baixo e de baixo a cima, à procura do emoji desejado, até me sentir assim: 😡

Quarto (e o mais importante de todos): se existem tantos emojis, porque não há mais emojis de gatos? Não faz sentido. Aliás, até acho que devíamos criar uma petição para transformar todas as carinhas amarelas em gatos. Isso sim, faria de mim a fã número um dos emojis.

P.S.: Talvez esteja na hora de parar de escrever sobre emojis e trabalhar no meu novo livro…

P.S. 2: Brincadeiras à parte, talvez o problema não sejam só os emojis. O facto é que cada vez escrevemos menos frases completas, com sujeito e predicado, e — mais raro ainda — com uns complementos, advérbios e adjetivos pelo meio, que enriquecem e clarificam o que queremos dizer.

E isso tem consequências sérias: os níveis de literacia em Portugal continuam baixos – um estudo da OCDE concluiu que, entre os 19 países da UE que participam no inquérito, Portugal está no último lugar em compreensão de textos escritos. Quem não escreve bem, nem lê, dificilmente consegue interpretar um texto.

P.S. 3: Continuo a achar que devíamos transformar todas as carinhas amarelas em gatos.

(=^・^=)

Rosa Silva

*Texto escrito por uma humana, alimentada pela imaginação e por gelado de caramelo salgado.