Nos últimos dias, a propósito das notícias sobre a continuidade do Plano Nacional de Leitura e da Rede de Bibliotecas Escolares, muito se tem falado sobre o papel das bibliotecas na sociedade.
Alguns de vós sabem que, durante muitos anos, fui bibliotecária no ensino superior. E, durante esses anos, várias vezes se profetizou o fim das bibliotecas. Primeiro, seria a Internet a acabar com elas. Depois, o motor de busca da Google. Mais tarde, os e-books, que supostamente iriam decretar a sua extinção. E agora, claro, é a Inteligência Artificial que vem para exterminá-las. De vez em quando, há uma nova “ameaça” que paira sobre estas instituições — mas que acaba por não passar disso mesmo, uma ameaça.
As bibliotecas sempre foram muito mais do que coleções de livros meticulosamente arrumados em estantes. Sempre garantiram o acesso equitativo e livre à informação, aos recursos e à tecnologia, estando ao serviço das suas comunidades — seja nas escolas, no ensino superior ou, no caso das Bibliotecas Públicas, de toda a população. São espaços livres e comunitários que nunca serão substituídos pelo digital. Não são negócios, são serviços públicos com uma surpreendente capacidade de se reinventar: evoluem, inovam e disponibilizam novos serviços digitais, sem nunca abandonar os tradicionais.
Mas, porque resistem as bibliotecas?
Os defensores do fim das bibliotecas parecem esquecer sempre um detalhe crucial: o papel daqueles seres teimosos, resistentes e incansáveis que nelas habitam — os bibliotecários. As bibliotecas nunca foram apenas arquivos de livros ou salas silenciosas de estudo. Sempre foram espaços de aprendizagem, de descoberta, de fervilhar de novas ideias e, muitas vezes, de saudável desassossego da mente. Só quem nunca passou tempo num desses lugares poderia imaginar que algum dia iriam desaparecer.
A realidade é simples: as bibliotecas ainda cá estão. Os bibliotecários também. Recusam-se a desistir, a ficar de braços cruzados ou a parar de inovar. Continuam a criar novos serviços, e a desassossegar outras mentes.
Enquanto estes super-heróis do conhecimento cá estiverem, as bibliotecas estarão a salvo — e ninguém, nem a IA, nem as políticas governativas de ocasião, as irá exterminar.
Rosa Silva
*Texto escrito por uma humana, alimentada pela imaginação e por gelado de caramelo salgado.

